No próximo sábado, 07 de março, às 9h, mulheres e apoiadores se reúnem no Coreto do Jardim Público para um ato com o tema: “Nós queremos viver! Basta de violência machista!”. A mobilização foi chamada pelo Coletivo Mulheres em Luta e traz como palavra de ordem: “Queremos viver! Parem de matar as mulheres!”
O protesto ocorre em meio ao que as organizadoras classificam como uma “epidemia de violência contra as mulheres” no Brasil. Em Rio Claro, somente em 2025, dois feminicídios brutais foram registrados e amplamente noticiados, reacendendo o debate sobre a necessidade de medidas mais eficazes de prevenção e proteção.
Além dos casos que chegam à imprensa, o coletivo questiona: “Quantas mortes e estupros acontecem sem que ninguém saiba?”. Segundo as organizadoras, a violência contra mulheres e meninas — especialmente nas periferias — muitas vezes sequer é denunciada às autoridades ou registrada oficialmente.
Desigualdade e vulnerabilidade
O grupo aponta que fatores como desigualdade social, desemprego e precarização dos serviços públicos, especialmente nas áreas de saúde e educação, agravam as situações de violência. Para mulheres da classe trabalhadora, afirmam, o machismo se soma aos baixos salários e à perda de direitos, aprofundando ciclos de vulnerabilidade.
“O machismo não atua isoladamente. Ele se cruza com a desigualdade de renda, raça, território e orientação sexual”, defendem as organizadoras, que também cobram maior transparência na produção e divulgação de dados sobre violência de gênero.
Reivindicações
Sob o lema “Por nenhuma morta e nenhuma silenciada em Rio Claro”, o ato apresentará uma pauta de reivindicações direcionadas ao poder público municipal, estadual e federal. Entre os principais pontos estão:
- Implementação efetiva da Lei Maria da Penha, com orçamento garantido, fiscalização e formação continuada de profissionais da rede de atendimento;
- Fortalecimento e ampliação da rede de proteção, com mais casas-abrigo, centros de referência da mulher e atendimento psicológico, social e jurídico gratuito;
- Delegacias da Mulher (DDM) funcionando 24 horas, com equipes completas e capacitadas;
- Resposta rápida do Estado a denúncias de violência doméstica e descumprimento de medidas protetivas;
- Responsabilização efetiva dos agressores, sem impunidade ou culpabilização das vítimas;
- Produção e transparência de dados com recortes de raça, classe, território e orientação sexual;
- Políticas públicas permanentes de prevenção, com educação para igualdade de gênero desde a infância;
- Investimento público em creches e serviços de educação e saúde, com posicionamento contrário à privatização;
- Garantia de autonomia econômica das mulheres, por meio de políticas de renda, emprego e moradia;
- Combate ao discurso misógino, racista e LGBTFÓBICO nas instituições, na mídia e na política.
Mobilização nas ruas
O ato integra as mobilizações do mês de março, tradicionalmente marcado por debates e manifestações em defesa dos direitos das mulheres. As organizadoras reforçam o chamado à participação popular.
“07/03 estaremos nas ruas”, afirmam, destacando que a mobilização busca não apenas denunciar a violência, mas pressionar por políticas públicas estruturantes e permanentes.
A concentração está marcada para as 9h, no Coreto do Jardim Público de Rio Claro, com expectativa de reunir mulheres, movimentos sociais, e apoiadores da causa.


