Crise econômica obriga brasileiro a bater recorde na frente da TV

Nunca se viu tanta televisão no Brasil como agora. O telespectador brasileiro passou 6 horas e 17 minutos na frente do televisor em cada dia do ano passado, 16 minutos a mais do que em 2015, segundo dados inéditos da Kantar Ibope Media. É uma marca recorde no consumo de TV no país. Seis anos atrás, em 2010, o brasileiro via uma hora a menos de TV por dia.

 

Os dados da Kantar Ibope consideram todo o tempo em que os televisores permanecem ligados nos domicílios, sejam conectados a emissoras abertas, em canais pago ou plataformas de vídeo online, como Netflix e YouTube.

A crise econômica que abateu o país nos últimos anos é a principal responsável pelo disparo no crescimento do consumo de televisão. Com menos dinheiro para se gastar na rua e com maior oferta de mídia, os televisores estão tendo que “trabalhar” mais.

 

“Por conta do momento econômico, muitos brasileiros têm dado preferência aos momentos de lazer em casa. Desde 2015, percebemos um aumento de atividades realizadas nos domicílios, incluindo o consumo de mídia em geral (TV, internet, video on demand etc.)”, diz Fábia Juliasz, diretora de medição de audiência de TV da Kantar Ibope.

 

Foi o que aconteceu com a professora de inglês Claudia Gomes, de 39 anos. “Eu adoro ir ao teatro, ao cinema. Mas, no segundo semestre de 2016, que foi um dos piores para mim, parei. Você tem que escolher: Ou gasta com lazer ou paga suas contas”, diz ela.

 

Claudia, então, passou a ficar mais tempo na frente da TV. Acompanha assiduamente os telejornais da Globo, o Roda Viva, da Cultura, e as séries e filmes da Netflix. “Meus fins de semana são sagrados. Chego em casa do trabalho na sexta, me jogo na cama, ligo a TV e fico lá. Já passei mais de dez horas em esquema de maratona”, conta.

 

 

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Adriana Esteves em Justiça: minissérie foi um dos programas mais vistos na TV em 2016

Quem manda no controle remoto?
O consumo de mídia vem crescendo igualmente entre ambos os sexos, mas as mulheres passam 37 minutos a mais na frente do televisor _por dia. Em 2016, segundo a Kantar Ibope, as mulheres consumiram 6 horas e 34 minutos de TV, contra 5 horas e 57 minutos dos homens. São elas, de fato, que mandam no controle remoto.

 

Além da grande oferta de novelas, um gênero com público mais feminino, a companhia dos filhos também justifica a maior intimidade das mulheres com o televisor.

 

Na casa de Anne Fonseca, 32 anos, em Barueri (Grande São Paulo), a TV também está substituindo outras formas de lazer. “Cada ida ao cinema é uma facada de R$ 100. Não tenho condições. Com R$ 100 eu pago a TV a cabo”, diz ela, que assiste aos canais Nickelodeon, Cartoon Network e Gloob com os filhos, de 5 e 2 anos. “Eles ficam numa boa com a TV”.

 

A família de Anne não tem carro. “A primeira coisa com que nos comprometemos quando nos mudamos para esta casa foi internet e TV de qualidade. Porque não temos como sair de fim de semana, não temos carro, os parques [infantis dentro] de shopping e o cinema são caríssimos”, complementa.

 

Jovem também vê TV
O consumo de TV vem crescendo inclusive entre as faixas de público mais jovens, invertendo uma tendência que se verificava até 2013, quando a economia brasileira ainda ia bem. No ano passado, a faixa etária com maior crescimento de consumo de mídia foi a de 18 a 24 anos, com aumento de 6,7%. Crianças (4 a 11) e adolescentes (12 a 17) ampliaram o tempo na frente da TV em 3%.

 

Os dados da Kantar Ibope incluem todas as mídias, mas a TV aberta ainda é, disparadamente, a mais consumida no televisor _até porque a TV por assinatura está em crise desde 2014.

 

“É possível dizer que a televisão mantém seu papel de destaque devido ao seu alto poder de alcance: está presente em praticamente todos os lares brasileiros, impactando um número considerável de pessoas. De 2012 para cá, vemos crescimento tanto no percentual de aparelhos ligados quanto no tempo médio diário dedicado à atividade de ver televisão. Mesmo com consumo de mídia sendo diversificado em outras telas e plataformas, a TV mantém o crescimento”, afirma Fabia Juliasz.

 

Fonte: Uol


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