Planalto ainda decide sobre apoios no segundo turno e quer focar reformas no Congresso

O principal recado da eleição municipal para o governo do presidente Michel Temer é focar na aprovação das reformas fiscais para garantir a retomada do crescimento econômico e reduzir o desemprego rapidamente.

 

O Palácio do Planalto não definiu ainda se apoiará abertamente alguma campanha no segundo turno. A equipe de Temer sabe que, nos principais centros, candidatos não devem querer se associar a um governo com agenda impopular.

 

Para o governo federal, enquanto a reversão da crise econômica não acontecer, o eleitorado continuará dissociado da gestão Temer e de seus aliados, como ocorreu na eleição para as prefeituras em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

 

“O governo Temer ainda não teve tempo de criar laços com o eleitorado. E isso só vai acontecer com a superação da crise econômica, não há outro caminho”, disse o secretário-executivo do Programa de Parcerias do Investimento, Moreira Franco, um dos principais assessores e conselheiros do presidente.

 

O ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) minimizou a derrota de Marta Suplicy (PMDB) em São Paulo e de Pedro Paulo (PMDB) no Rio de Janeiro, aliados de Temer. “O povo não quis”, disse Geddel.

 

Segundo Moreira Franco, a eleição em primeiro turno do tucano João Doria, em São Paulo, mostra que o eleitor “optou pelo novo, que prega a responsabilidade e gestão eficiente. Descartou tanto o radical de direita como o radical de esquerda”.

 

O assessor de Temer reconhece que a agenda do governo não é popular e gera desgaste, mas ressalta que o fracasso do PT nas eleições municipais não tem a ver apenas com a corrupção, mas com o fato de o partido ter afundado o país na recessão.

 

Dentro do Palácio do Planalto, apesar da derrota do partido do presidente nas capitais mais importantes do país, a avaliação é que o resultado nacional fortalece os aliados de Temer. Isso, segundo assessores, tende a se refletir positivamente nas votações das reformas, como a criação do teto de gastos públicos e a reforma da Previdência.

 

Nesta semana, o plenário da Câmara deve votar o projeto que flexibiliza as regras para ampliar a participação privada no pré-sal. Há ainda a expectativa de votar a repatriação de recursos no exterior. E nesta semana aprovar na comissão especial o teto de gastos públicos.

 

Durante o primeiro turno, o presidente Michel Temer tentou passar a imagem de neutralidade nas eleições municipais. Antes do início da campanha oficial, em agosto, ministros receberam recomendações do braço direito de Temer, Eliseu Padilha (Casa Civl), sobre o comportamento na disputa.

 

A lista incluía orientações como não subir em palanques onde houvesse enfrentamento de candidatos de diferentes partidos da base aliada, na tentativa de evitar um racha entre as 18 siglas que apoiam o governo.

 

Por VALDO CRUZ
DANIEL CARVALHO
DE BRASÍLIA

Informações Folha de S.Paulo

Foto: Pedro Ladeira-14.set.2016/Folhapress


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