A CRISE DA CULTURA EM RIO CLARO
Operação do GAECO, editais suspensos, revogação de chamamento público, empenhos cancelados, pagamentos pendentes e artistas, prestadores de serviços e fazedores de cultura em dificuldades: o cenário que marca a cultura rioclarense em 2026
A Rio Claro Online inicia hoje uma série especial de reportagens investigativas sobre a situação enfrentada pela cultura no município de Rio Claro (SP). Ao longo dos próximos meses, serão apresentadas informações, documentos públicos, entrevistas, relatos e análises sobre os impactos da gestão municipal na área cultural, especialmente após os acontecimentos que marcaram o final de 2025 e o primeiro semestre de 2026.
O objetivo desta série é mostrar como a paralisação de editais, os atrasos em pagamentos e a ausência de definições administrativas vêm afetando diretamente artistas, produtores culturais, técnicos, prestadores de serviços, coletivos, empresas culturais e milhares de cidadãos que dependem ou consomem atividades culturais na cidade.
Esta primeira reportagem aborda uma das consequências mais imediatas da crise: a situação vivida por pessoas e empresas contempladas em editais públicos que permanecem aguardando pagamentos, sem cronograma definitivo e convivendo com insegurança financeira, exposição pública e incertezas quanto ao futuro.
O início da crise
Nos últimos anos, a Prefeitura de Rio Claro lançou editais de incentivo à cultura com o objetivo de ampliar o acesso aos recursos públicos destinados ao setor e fomentar projetos de artistas independentes, prestadores de serviços e fazedores de cultura.
Entretanto, o cenário sofreu uma mudança radical no final de 2025.
A cidade passou a ser alvo da Operação Apropriação Cultural, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), que investigou supostas irregularidades envolvendo contratos firmados pela Secretaria Municipal de Cultura.
Segundo informações divulgadas pelas autoridades responsáveis pela investigação, empresas seriam contratadas para execução de projetos culturais e parte dos recursos públicos teria sido desviada, em um montante estimado em aproximadamente R$ 814.900,00. As investigações atingiram diretamente a administração da Secretaria de Cultura da época.
A repercussão da operação provocou mudanças administrativas, revisão de procedimentos internos, paralisação de editais em andamento, revogação e reabertura do Edital nº 001/2025 e suspensão de diversos pagamentos anteriormente previstos.
Embora a investigação tenha como foco os fatos apurados pelos órgãos competentes, quem passou a enfrentar as consequências imediatas foram centenas de artistas, produtores culturais, empresas e profissionais que tiveram projetos aprovados regularmente por comissões avaliadoras e que aguardavam apenas a conclusão dos procedimentos administrativos para receber os recursos previstos.
Quem paga a conta?
Na prática, os maiores prejudicados passaram a ser justamente aqueles que não figuram como investigados.
Artistas independentes, grupos culturais, músicos, técnicos de som, produtores, oficineiros, fotógrafos, cinegrafistas, profissionais de comunicação, prestadores de serviços e pequenas empresas da economia criativa permanecem aguardando pagamentos referentes a projetos aprovados, muitos deles já executados integralmente.
São pessoas que confiaram na regularidade do processo público, planejaram atividades, contrataram profissionais, adquiriram materiais, reservaram espaços culturais, custearam deslocamentos, hospedagens, alimentação e equipamentos utilizando recursos próprios ou empréstimos, acreditando que receberiam posteriormente os valores previstos nos editais.
Para muitos, o pagamento deixou de representar apenas uma remuneração.
Passou a representar a possibilidade de quitar financiamentos, pagar aluguel, manter pequenos negócios funcionando, honrar compromissos assumidos com fornecedores e preservar sua própria subsistência.
Enquanto isso, a ausência de um calendário oficial para regularização dos pagamentos alimenta um ambiente de insegurança que já dura meses.
Exposição pública, constrangimento e desgaste emocional
Outro aspecto frequentemente citado pelos contemplados é a exposição pública.
Os nomes dos proponentes, CPFs, CNPJs, projetos aprovados e demais informações permanecem publicados em documentos oficiais e no Diário Oficial do Município.
Embora essa publicidade decorra das regras de transparência da administração pública, diversos contemplados relatam que passaram a enfrentar cobranças constantes de fornecedores, parceiros, equipes contratadas e até familiares, que desconhecem os motivos pelos quais os recursos ainda não foram liberados.
Segundo relatos obtidos pela reportagem, muitos artistas, prestadores de serviços e fazedores de cultura afirmam sentir constrangimento por não conseguirem cumprir compromissos financeiros assumidos durante a execução de seus projetos.
Há quem relate dificuldades para manter atividades profissionais, interrupção de oficinas culturais, cancelamento de apresentações, inadimplência junto a fornecedores, atrasos em contas pessoais, utilização de limites bancários e empréstimos, além do comprometimento da própria credibilidade profissional.
Alguns entrevistados afirmam que a situação também produziu desgaste psicológico significativo, diante da ausência de respostas objetivas sobre quando — ou como — os pagamentos serão finalmente realizados.
Falta de previsibilidade
Desde a mudança no comando da Secretaria Municipal de Cultura durante a gestão do prefeito Gustavo Perissinotto, a expectativa de parte do setor era de que os pagamentos fossem regularizados em curto prazo.
Entretanto, segundo diversos artistas, prestadores de serviços e fazedores de cultura ouvidos pela reportagem, isso ainda não ocorreu.
A atual secretária municipal de Cultura, Nathália Spatti Delazeri, que anteriormente ocupava cargo na área de Comunicação da Prefeitura, tem informado, conforme relatos dos entrevistados, que o município enfrenta dificuldades financeiras para efetuar os repasses pendentes.
Apesar dessas explicações, representantes do setor cultural afirmam que continuam sem um cronograma oficial contendo datas, prioridades ou previsão concreta para a quitação dos valores devidos.
A ausência dessas informações tem sido apontada como um dos principais fatores que alimentam a insatisfação dos contemplados.
Os relatos dos artistas e fazedores de cultura
A Rio Claro Online ouviu diversos artistas, produtores e prestadores de serviços que aguardam pagamentos. Para preservar algumas fontes, determinados nomes foram alterados. Além desses relatos, muitos outros depoimentos permanecem publicados nas redes sociais, evidenciando a insatisfação geral, que ainda aguarda uma solução para os pagamentos pendentes.
“Eu atuo com o pessoal da capoeira e já foi apresentada toda a documentação exigida pela Secretaria de Cultura. Mesmo assim, estamos aguardando há muito tempo. É uma situação muito difícil.” — Valter Pinheiro
“Entrei no Ministério Público porque não consegui resolver administrativamente. Tenho documentos e protocolos sobre tudo isso.” — Cleber Santos
“Até hoje não existe previsão concreta para receber. A sensação é de que ninguém consegue responder quando isso será resolvido.” — Alice Silva
Um dos relatos mais contundentes veio de um músico contratado para uma apresentação durante evento realizado no município.
Segundo ele, todo o serviço foi executado conforme contratado.
“Fiz apresentação musical, entreguei documentos, emitimos as notas quando solicitaram e continuamos aguardando. Primeiro falaram em 28 dias, depois em 90 dias. Os prazos passaram e nunca houve pagamento. Durante todo o ano de 2025 recebemos apenas novas promessas e muita enrolação. Entrei no Ministério Público porque não encontrei outra alternativa.” — Carlos Rolf
Outro artista ouvido pela reportagem afirma que o medo passou a fazer parte da rotina de muitos contemplados.
“Muitas pessoas ainda não receberam e têm receio de denunciar por medo de possíveis retaliações. É uma situação que ninguém deveria viver.” — Pedro Lind
“A gente só quer receber o que é nosso por direito. O projeto foi aprovado por pessoas da sociedade civil e da própria gestão do prefeito Gustavo. Houve uma comissão que aprovou os projetos, e não deve caber apenas à atual secretária de Cultura, Nathália Spatti, decidir quem recebe ou não. Isso é revoltante!” — Alice Balaic
“Nós atuamos há muitos anos com cultura na cidade. Desenvolvemos teatro, bonecos interativos, oficinas e workshops educativos para toda a população, e nunca vimos uma situação tão constrangedora acontecer. Como pagamos as contas? Está saindo tudo do nosso bolso, porque não podemos interromper atividades gratuitas que oferecemos para pessoas carentes. Também não recebemos até agora. Isso não se faz com quem mais ajuda a cidade, que somos nós!” — Sandra Padro
“O que estamos vendo é horripilante na cidade. O recurso público destinado à cultura, que deveria chegar aos artistas e fazedores de cultura, muitas vezes proveniente de leis federais que garantem apoio ao setor cultural municipal, foi muito mal administrado. A Prefeitura mudou diversas pessoas e agentes da Secretaria de Cultura depois do caso investigado pelo GAECO, mas continua sendo a gestão do prefeito Gustavo que administra a cidade. Sou da turma do Rock e, assim como eu, muitos artistas ainda estão sem receber. Até quando ficaremos sem sequer uma previsão de pagamento?” — Luís Benicio
“Eu sempre participei de eventos culturais na cidade. Trabalho com alimentação e sempre vi a economia criativa e os fazedores de cultura felizes, atuantes, movimentando a cidade e gerando trabalho para muitas pessoas. Agora, com a atual gestão na área da cultura, tenho a impressão de que tudo isso está desaparecendo. Estamos perdendo eventos e atividades incríveis por falta de soluções e de ações efetivas para enfrentar os problemas. Quem perde com isso é toda a população rio-clarense e também o comércio local, que deixa de movimentar sua economia. É uma situação realmente lamentável. Isso precisa mudar.” — Flávia Monteir
“Eu sou do Movimento LGBT e realizo, desde 2018, a Semana LGBT, o Concurso Drag Queen e a Parada do Orgulho na cidade de Rio Claro/SP, de forma totalmente voluntária. No ano passado fui contemplada e mantenho um projeto aprovado pela comissão avaliadora. Meu nome foi publicado na internet em dois momentos distintos em referência ao Edital nº 001/2025, mas, até o momento, não recebemos da Prefeitura de Rio Claro/SP. Agentes da Secretaria de Cultura nos fizeram acreditar que receberíamos antes de outubro de 2025. Fechei todos os acordos e contratos conforme o projeto aprovado. A própria secretária Nathália Spatti me passou informações que, na prática, não se concretizaram, e nos fez acreditar que estava tudo bem. Hoje estamos em julho de 2026 e continuamos sem receber, e a situação está longe de estar resolvida. Desde setembro de 2025 ‘montei acampamento’ em frente à Prefeitura para cobrar ao menos respostas e uma previsão de pagamento. Depois de vários meses tentando contato diretamente com o chefe do Executivo, consegui conversar rapidamente com o prefeito Gustavo, que, naquela ocasião, me garantiu que resolveria os pagamentos da área cultural. Atualmente estou endividada, pagando boletos e fornecedores. Fiz empréstimos bancários para conseguir executar integralmente o projeto aprovado. Também estou sendo cobrada e exposta por pessoas que desconhecem tudo o que aconteceu e ainda está acontecendo. Nunca passei por uma situação como essa em Rio Claro. Considero um completo descaso da atual gestão municipal com os artistas e fazedores de cultura. E digo mais: essas pessoas parecem não compreender a realidade da população mais vulnerável do município. São anos de atuação com Projetos e ações que visam garantir a integridade cultural na cidade, muitas pessoas assim como eu fazem os Projetos por amor e não vão permitir que os trabalhos sejam arrasados e/ou interrompidos por pessoas sem ética, escrúpulos e responsabilidade. Não se trata apenas de cultura; trata-se da sobrevivência de famílias inteiras. Estou perplexa com tudo o que aconteceu e continua acontecendo em nossa cidade. Apesar de todas as dificuldades, afirmo que realizaremos, sim, a 9ª Semana e Parada do Orgulho LGBT de Rio Claro/SP. Faremos novamente com muito esforço, utilizando as ferramentas e habilidades que temos neste momento de crise cultural. Nosso propósito é muito maior do que qualquer omissão ou descaso. Não vamos parar. Nós somos defensores da Cultura e do Patrimônio Histórico da nossa cidade também, e nós não vamos parar de cobrar até que as devidas melhorias aconteçam, em todas as áreas! Vamos continuar resistindo a mais esse momento difícil enfrentado pela comunidade cultural da nossa cidade. Vamos animar!” — Leila Pizzotti
“O Rock está acabando na cidade. É lamentável. Sou artista, fui contemplado e ainda não recebi. Vocês viram o evento de Rock realizado no Lago Azul? Alguns artistas receberam, enquanto outros contemplados continuam sem pagamento. Quem decide quem recebe e quem não recebe? Quem define quem merece receber antes, depois ou simplesmente não receber? A estrutura do evento estava muito bonita e claro que há espaço para todos. Mas fica uma pergunta: e quem veio antes? Quem sustentou a cultura até aqui? Temos festivais tradicionais, como o Fest Rock, o Equinócio e outros, alguns inclusive instituídos no calendário municipal. Onde estão esses eventos? Onde está o apoio prioritário da Secretaria de Cultura para quem construiu essa história? O que estamos vendo é a repetição de práticas antigas: artistas e produtores culturais reconhecidos sendo deixados de lado. Na gestão anterior houve aquele evento que durou apenas três anos… como era mesmo? Mix Cultural? Ah, dá licença! São recursos públicos. Vejo situação semelhante acontecendo agora com outro evento promovido pela Secretaria de Cultura. Enquanto o Poder Executivo não valorizar a cultura de base e quem trabalha há anos pela cidade, Rio Claro continuará patinando, enxugando gelo e desperdiçando oportunidades de fortalecer seu setor cultural. Precisamos valorizar o que já existe antes de criar novos eventos que talvez desapareçam quando mudar a gestão. Fico revoltado com o que estão fazendo com os produtores culturais da nossa cidade e com os eventos tradicionais que construíram a história cultural de Rio Claro. Ah, e eu também quero receber, Prefeitura! Vou esperar até quando?” — Roberto Salvi
“Trabalho no acolhimento de PCDs (Pessoas com Deficiência) e também ainda não recebi. Atuo junto com artistas e produtores de eventos. Amo o que faço, mas precisamos ter o mínimo de condições para continuar desenvolvendo nossas atividades na cidade. Será que pedir um pouco de respeito é pedir demais? Pedir ao menos uma previsão de pagamento é pedir demais? Estou incrédula com a atual situação da cultura em nossa cidade. Estamos perdendo muito e, principalmente, vendo pessoas em situação de vulnerabilidade social terem cada vez menos acesso à cultura, ao lazer e ao entretenimento. Isso é muito triste.” — Carla Aparecida
“Paga o que me deve, Prefeitura. Sou artista e músico, vou tomar as medidas cabíveis e procurar um advogado. Tenho fornecedores para pagar. Eles não esperam. Receber é um direito nosso!” — Rafael Venan
“Aqui quem fala é o MC Cobrança. Prefeito Gustavo, paga a gente! Nossa rapaziada também foi contemplada em projeto cultural e, até agora, nada. A secretária de Cultura, Nathália, não nos dá sequer uma previsão de pagamento. Nossa realidade é muito difícil. A periferia resiste, prefeito, e o senhor precisa saber disso. Hoje estamos tendo que recorrer a vereadores para conseguir realizar eventos e reunir as pessoas. É humilhante depender disso. Nenhum projeto cultural deveria ficar condicionado a receber apoio político para acontecer. Estamos correndo atrás de vereadores para conseguir fazer cultura. É complicado demais.” — Fabinho do Hip Hop da Periferia RC 019
“Eu prestei serviços para a Prefeitura, realizei mais de 15 eventos. Tenho fotos, vídeos e toda a documentação comprovando o trabalho realizado. Fui responsável pela sonorização e iluminação desses eventos, trabalhei muito, e agora a Prefeitura informou que não vai me pagar. O que aconteceu com toda aquela situação envolvendo recursos públicos na área da cultura não foi culpa minha. Não sei de nada sobre isso, não tenho qualquer envolvimento, mas sou eu quem vai ficar no prejuízo? Gastei com combustível, paguei ajudantes e tive diversas outras despesas para prestar os serviços contratados. E agora simplesmente não vou receber? Disseram que todos os serviços prestados para a Secretaria de Cultura que estavam na fila para pagamento, referentes aos anos anteriores, foram cancelados e que não haverá pagamento, mesmo eu apresentando documentos, provas e todas as informações que comprovam a execução dos serviços. Você acha isso correto? O que eu faço agora com todo esse prejuízo?” — Pedro Valério
“Sou um produtor cultural da nova geração. Atuo no teatro e me apaixonei pela profissão de diretor artístico. Comecei a estudar gestão cultural, participar de editais e já consegui ser contemplado em alguns deles. A sensação que tenho em Rio Claro, além da falta de pagamento que a Prefeitura ainda nos deve, é de que alguns agentes públicos tentam nos silenciar de alguma forma. Muitas vezes parece que querem trocar nosso silêncio pela utilização de salas e espaços públicos, que pertencem à população e que somos nós, produtores culturais, que ajudamos a cuidar. Vejo muitas coisas acontecendo e, muitas vezes, fico calado. É muito triste ver o que está sendo feito com todos nós da cultura de Rio Claro.” — Lucas Santos
“Sou prestadora de serviços na cidade de Rio Claro há mais de 20 anos. Estou sendo prejudicada. Atuo como Intérprete de Libras e ainda não recebi porque estou aguardando um produtor de eventos me pagar pelo trabalho que realizei em um evento. E sabe, esse produtor sempre me pagou com antecedência. Nunca ficou me devendo um real sequer. Sempre que houve editais, ele acertou tudo comigo dias antes, porque ele também recebia antes da execução dos projetos contemplados, e nunca depois! É inacreditável que a Prefeitura e a secretária de Cultura, Nathália Spatti, ainda não consigam fornecer uma previsão para a regularização dos pagamentos culturais. O Tribunal de Contas precisa intervir com urgência nessa situação deplorável. Vejo esse produtor, que também é um grande amigo meu, sofrendo pelos prejuízos materiais e pelo desgaste emocional que vem enfrentando até o momento.” — Cléia Lúcia
“Sou produtor cultural. Há dois anos fizemos o possível e o impossível para realizar eventos e ajudar a cidade. Promovemos arrecadação de leite e alimentos. Faço parte da geração mais nova e procuro seguir o exemplo de produtores culturais mais experientes. Continuo aprendendo e tentando conquistar meu espaço na cena cultural. No ano passado tentamos realizar nosso evento e, neste ano, queríamos dar continuidade, mas o cenário da cidade desanima. Tenho vários amigos sem receber: artistas, produtores e eu mesmo. A cultura em Rio Claro está completamente defasada. É um absurdo atrás do outro. Estamos vendo empresas abertas recentemente já prestando serviços ao município e recebendo normalmente. Basta consultar o Diário Oficial. Enquanto isso, nós sequer temos respostas ou previsão de pagamento. É revoltante. O caminho é denunciar mesmo.” — Pablo Dias
Uma crise que ultrapassa os serviços prestados, projetos contemplados, empenhos e editais culturais
Os atrasos não afetam apenas os artistas e fazedores de cultura contemplados.
Cada pagamento pendente representa uma cadeia econômica interrompida.
Empresas deixam de receber.
Profissionais autônomos deixam de ser contratados.
Eventos deixam de acontecer.
Projetos sociais deixam de alcançar crianças, jovens, idosos e comunidades.
Oficinas gratuitas deixam de ser realizadas.
Espaços culturais permanecem sem programação.
A economia criativa perde capacidade de gerar renda e empregos.
O reflexo é sentido não apenas pelos trabalhadores da cultura, mas por toda a cidade.
A Série Continua e a Novela do Governo de Gustavo Perissinotto na Cultura Também
Esta é apenas a primeira reportagem de uma série especial da Rio Claro Online.
Nas próximas publicações serão apresentados novos documentos, entrevistas, cronologias dos acontecimentos, informações sobre os editais, manifestações de órgãos públicos, posicionamentos oficiais, além de análises sobre os impactos administrativos, jurídicos e sociais da atual crise cultural vivida pelo município de Rio Claro.
A reportagem também buscará novamente o posicionamento oficial da Prefeitura de Rio Claro e da Secretaria Municipal de Cultura acerca das questões levantadas pelos entrevistados, em respeito ao princípio do contraditório e da ampla informação.
Enquanto isso, centenas de artistas, prestadores de serviços e fazedores de cultura continuam aguardando aquilo que afirmam ter conquistado por meio de editais públicos regularmente aprovados: a efetivação dos pagamentos e uma resposta definitiva sobre quando essa longa espera chegará ao fim! E como tudo isso começou?
Por Leila Pizzotti


