Entidades de Rio Claro enfrentam crise financeira à espera do IPTU Solidário: atrasos nos repasses ameaçam atendimentos e acendem alerta social
Instituições filantrópicas e assistenciais de Rio Claro (SP) vivem um momento de apreensão diante da demora no repasse dos recursos do IPTU Solidário, programa que permite aos contribuintes destinar parte do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para projetos sociais credenciados nas áreas de assistência social, saúde, esporte, cultura e proteção animal.
Criado como uma importante ferramenta de incentivo fiscal e fortalecimento do terceiro setor, o IPTU Solidário representa, para muitas organizações, uma das principais fontes de manutenção das atividades realizadas em benefício da população em situação de vulnerabilidade.
No entanto, mesmo após o pagamento do imposto pelos contribuintes e apesar da previsão inicial de que os valores fossem liberados na primeira semana de maio, diversas entidades ainda aguardam o recebimento dos recursos. Já na metade do mês de junho, muitas instituições afirmam não possuir uma previsão concreta para a regularização dos repasses.
Tema foi alvo de debates na Câmara Municipal
A demora na transferência dos recursos tem sido motivo de reclamações por parte de entidades e também de vereadores durante as sessões da Câmara Municipal realizadas ao longo dos últimos meses.
O assunto ganhou ainda mais destaque após a aprovação, pelo Legislativo, do projeto encaminhado pelo prefeito Gustavo Perissinotto que promoveu o remanejamento de R$ 8 milhões para cobrir os valores referentes ao IPTU Solidário e outras circunstâncias.
Mesmo assim, representantes das instituições afirmam que a espera continua gerando impactos diretos na continuidade dos serviços oferecidos à população.
Quem sofre são as pessoas atendidas pelas entidades
A ausência dos recursos não afeta apenas as organizações. Crianças, idosos, famílias em situação de vulnerabilidade, pessoas que dependem de Projetos Sociais e até animais resgatados acabam sofrendo as consequências da falta de recursos.
Segundo dirigentes de algumas entidades, despesas com alimentação, medicamentos, transporte, consultas e manutenção básica seguem se acumulando, enquanto o caixa das instituições chega ao limite.
UPARC relata situação dramática nas redes sociais
Uma das manifestações que mais repercutiram foi a da União dos Protetores de Animais de Rio Claro (UPARC), organização sem fins lucrativos fundada em 2015 e reconhecida pelo trabalho de resgate, acolhimento e incentivo à adoção responsável de animais.
Em publicação nas redes sociais, a entidade relatou as dificuldades enfrentadas para continuar custeando tratamentos veterinários e mantendo os atendimentos.
Segundo a UPARC, dois animais acolhidos em lares temporários precisaram de atendimento médico, enquanto outros casos exigiram internações e cuidados especializados. A instituição afirmou que clínicas parceiras vêm colaborando e suportando os custos na medida do possível, mas alertou que a situação chegou ao limite.
Na mensagem divulgada, a entidade informou que aguarda desde janeiro o repasse dos valores provenientes do IPTU pago pelos contribuintes em fevereiro e fez um apelo à população e às autoridades em busca de apoio.
“Não sabemos mais como continuar”
A mensagem e pedido de ajuda foi claro! E chegou longe…
Muitas pessoas estão vendo o que está acontecendo na cidade de Rio Claro/SP!

Entidades pedem urgência na regularização
Representantes do terceiro setor afirmam que o atraso nos repasses compromete planejamentos, dificulta pagamentos e coloca em risco projetos que há anos prestam serviços essenciais à comunidade.
Para as entidades, a regularização dos valores é fundamental para garantir a continuidade dos atendimentos e preservar trabalhos construídos ao longo de décadas por voluntários, profissionais e apoiadores.
Enquanto aguardam uma solução, organizações sociais seguem recorrendo à solidariedade da população e ao apoio de doadores para manter portas abertas e continuar atendendo quem mais precisa.
Em meio à espera, fica um questionamento que ecoa entre voluntários, dirigentes e beneficiários dos Projetos: se o contribuinte fez a sua parte e destinou recursos para ajudar, por que tantas entidades ainda precisam lutar diariamente para sobreviver? De quem é a responsabilidade por essa demora? E até quando os beneficiários dos Projetos Sociais serão prejudicados?
Por Leila Pizzotti

