A falta de água em Rio Claro (SP) deixou de ser um problema pontual e passou a fazer parte da rotina de muitos moradores. Nos últimos anos, interrupções frequentes no abastecimento têm afetado diversos bairros do município, provocando transtornos para a população, prejuízos ao comércio e questionamentos sobre a infraestrutura do Departamento Autônomo de Água e Esgoto (DAAE).
Responsável pelo tratamento e distribuição de água, além do sistema de esgotamento sanitário da cidade, o DAAE possui, segundo informações disponíveis em seu site na sua área institucional – “uma estrutura projetada para garantir o abastecimento de água potável. Atualmente, a demanda por tratamento e distribuição de água do DAAE atinge um total de 60 mil metros cúbicos/dia frente à capacidade máxima de tratamento de 86.400 metros cúbicos/dia. Possui também uma Central de Reservamento e Distribuição de Água Tratada; extensão de redes de água com 672 mil metros que atendem a 100% da população – 61.630 ligações domiciliares de água; 36 reservatórios; cinco Estações de Tratamento de Esgotos e 668 mil metros de rede de esgoto, que atendem 99,3% da população – 60.190 ligações domiciliares – e tratamento de 38% de todo o esgoto produzido no município, com previsão de 100% nos próximos seis anos.”
Apesar dos números, a população tem convivido com sucessivas interrupções provocadas principalmente por rompimentos em adutoras — tubulações responsáveis pelo transporte de grandes volumes de água entre as estações de tratamento e os reservatórios.
Especialistas da área de saneamento apontam que fatores como envelhecimento da infraestrutura, falta de manutenção preventiva, falhas de monitoramento, problemas elétricos e mecânicos, além de fatores externos, podem aumentar significativamente o risco de rompimentos e comprometer a continuidade do abastecimento. Programas permanentes de manutenção e monitoramento contínuo são considerados fundamentais para reduzir ocorrências e minimizar os períodos de desabastecimento.
As consequências dessas interrupções vão além da falta de água nas residências. Escolas, unidades de saúde e serviços essenciais podem ter suas atividades comprometidas, enquanto comerciantes e empresários enfrentam paralisações, perdas de produtos e redução no faturamento. Para o poder público, os problemas geram custos elevados com reparos emergenciais, necessidade de utilização de caminhões-pipa e desgaste perante a população.
Mais de 60% da cidade foi afetada nas últimas semanas
Nas últimas semanas, cerca de 60% dos moradores de Rio Claro enfrentaram problemas no abastecimento.
A situação foi agravada por sucessivos rompimentos na adutora da Rua 14 e por falhas na rede elétrica da Central de Distribuição, afetando bairros das regiões Leste, Oeste e Sul, além do distrito de Ajapi.
Os incidentes provocaram cobranças na Câmara Municipal e obrigaram o DAAE a realizar uma série de manutenções emergenciais para tentar estabilizar a situação.
Moradores relataram dificuldades para realizar atividades básicas do dia a dia, enquanto comerciantes registraram prejuízos decorrentes da interrupção do fornecimento de água. Alguns nomes foram alterados para preservar as fontes.
“o Daae está desperdiçando água já está fazendo dez dias aqui na caixa d’água do BNH, até agora não tivemos nenhuma manifestação por intermédio da administração que vai consertar, descaso com a população de Rio Claro ,espero que os eleitores se lembre desses descasos na hora de escolher o novo prefeito e os novos vereadores.” – Alcides Sebastião Martini
“Palmeiras sem água já virou palhaçada isso” – Teresinha
“Desde madrugada sem água quase Rio Claro inteiro, que que acontece que antigamente não tinha isso não acabava a água assim não e para ajudar nós não tem mais caixa d’água no bairro” – Nina
“Gente o cara do vídeo que falou que até o final da manhã de hj a água iria voltar cadê essa benção de água gente” – Pamela
“Novo Wenzel ainda sem água, a maioria da população não tem caixa d’água, pessoas com crianças e animais todos sem água, isso é um absurdo. O DAAE está cada vez pior, o sac não funciona uma porcaria, talvez seria melhor ser vendido mesmo pois aí saberíamos de quem cobrar, enquanto estiver assim é um jogo de empurra empurra, porcaria de empresa, porcaria de vereadores e quem sofre é a população” – Adriana Grande
“Ainda mais que a prefeitura vendeu o Daae… aí que vão demorar memo… esse prefeito… será que na casa dele tá sem água… a gente votamos nele pra ter mudança e tá ai a mudança devendo bilhões” – Thiago Jorge
“Falta desde ontem de manhã não tem como usar nem banheiro e palhaçada” – Lurdes Godoy
“Reparo, Reparo, Reparo! Descaso com 210.323 habitantes de Rio Claro que não tem uma administração que efetue um planejamento de novos dutos de abastecimento de água! Pra onde estão indo os tributos? Será que a falta de água por mais de 24 horas é superficialidade? Nossas autoridades com certeza tomaram banho e tiveram acesso a água potável! E como fica o povo que elege os representantes? Vergonha!” – Rodrigo Caperucci
“Loucura, isso é falta de manutenção e está ligado à essa administração n0gent4 e descontrolada, falta interesse da PMRC em estar junto do seu eleitorado “fiel”, saber escolher quem te governa é um segredo, estão sua oportunidade de escola está só na sua frente…” – Candido
“Tenho três crianças estou desde ontem sem fazer almoço nem janta, e sem banho, no domingo como hoje é difícil encontrar alguém que entrega água pra toma.” – Marilene Santos
“Essas tubulações são muito antigas provavelmente superfaturado pela gestão da época e com pouca qualidade. Não estão aguentando o frio com baixas temperaturas. Acabei de ver mais um cano estourado na rua 01. Arruma um lugar e quebra o outro.” – Mauro Ribeiro
“Aqui no Jardim das Nações acabou sábado e ainda não voltou” – Cristina Batista
“Gente que hora essa água vai voltar preciso fazer leite pro meu filho” – Sandra Silva
“Rio Claro cada dia que passa só piora. O que será que anda acontecendo” – Missioneia Goulart
“Isso tudo é orquestrado, para privatizar. Já vi isso acontecer em outros lugares.” – Val Morari
“Jardim das Palmeiras desde às 07,00 horas da manhã ! E sem aviso nenhum ! Todas repartições da prefeitura desde quarta-feira!” – Chico de Assis
“Jorrando água da caixa d’água da rua 14 com Av 40 desde ontem a noite e o DAAE não tem atendimento de emergência, só automático. Negligência total com a população e com o meio ambiente.” – Lucilene Belon
“Até no jardim público está faltando água está fechado o banheiro público que será que está acontecendo em prefeito” – Edvaldo Vollet
“Acaba água ai qd vem parece leite de tão branca, a conta vem um absurdo para paga!” – Bruna Juninho
“Palmeiras um inferno para quem trabalha e precisa da água para realizar seu trabalho” – Elzi Gomes
“Tá assim pois esperam quebrar pra arrumar não existe manutenção periódica né e o preço que pagamos é pouco né…” – Detail
“Jardim Ipanema também, todo dia é isso, falta de água e a conta nunca diminuiu vamos dar uma atenção aí né, tem criança, pessoas que chega do trabalho cansado pra tomar um banho e jantar e cadê a água? Um absurdo isso…” – Dany Fernandes
“E ainda eles tem a cara de pau de falar que quem tem caixa dagua não passa por isso, mas esquecem que a população mais pobre não tem nem condições de comprar a caixa, descaso total Rio Claro” – Carla Huffin
“Sim parque universitário agora virou moda né??? Tenho um salão alugado de pet shop com muitos cães para dar banho e sem água e muito difícil” – Ana Braghin
Destacamos alguns dos registros, entre centenas de outros comentários e reclamações recebidas pela reportagem da Rio Claro Online
Rompimento na Rua 14 deixou 60% da cidade sem abastecimento
Um dos episódios mais críticos ocorreu no sábado, dia 6 de junho, quando uma adutora de aço de 500 milímetros rompeu na rotatória da Rua 14 com a Avenida Perimetral, na região do Alto do Santana.
O vazamento provocou uma grande cratera no asfalto e interrompeu o trânsito na região. Segundo o DAAE, equipes trabalharam para retirar a água acumulada, localizar o ponto exato do rompimento e realizar os reparos no trecho danificado.
No entanto, o reparo realizado em caráter emergencial e provisório não impediu que a tubulação voltasse a apresentar problemas posteriormente, com novos grandes vazamentos registrados na via pública durante vários outros dias.
A adutora é considerada estratégica para o sistema de abastecimento do município, já que atende os bairros interligados à Estação de Tratamento de Água “José Crespo” (ETA 2), responsável pelo fornecimento das regiões Leste, Oeste e Sul da cidade, além do distrito de Ajapi.
Prefeitura anuncia reparo definitivo
Na noite desta segunda-feira (15), o prefeito Gustavo Perissinotto informou, por meio das redes sociais, que será realizada uma intervenção considerada definitiva na adutora da Rua 14 com a Avenida Perimetral.
Segundo a administração municipal, os trabalhos estão programados para começar às 22 horas desta terça-feira (16), com previsão de conclusão até as 18 horas de quarta-feira (17). A normalização do abastecimento deverá ocorrer gradualmente.
Durante o período da manutenção, o fornecimento dependerá da capacidade dos reservatórios existentes. O DAAE orienta os moradores a utilizarem a água de forma consciente, priorizando atividades essenciais, como alimentação, higiene pessoal e consumo doméstico.
Enquanto o reparo definitivo é aguardado, a população segue enfrentando a incerteza sobre a regularidade do abastecimento e cobrando investimentos capazes de garantir maior segurança e estabilidade ao sistema de distribuição de água em Rio Claro.
GRAVE: Novos vazamentos e suspeitas de rompimentos ampliam crise da água em Rio Claro e aumentam temor da população
A crise no abastecimento de água em Rio Claro (SP) ganhou novos capítulos e passou a gerar ainda mais preocupação entre moradores de diferentes regiões da cidade. Após os sucessivos problemas registrados nos últimos dias, novos pontos de vazamentos e possíveis falhas em tubulações começaram a ser denunciados pela população, aumentando o temor de novos desabastecimentos e evidenciando a fragilidade do sistema.
Na terça-feira, 9 de junho, menos de 48 horas após um dos maiores episódios recentes de falta de água no município, uma nova ocorrência voltou a comprometer o abastecimento. Desta vez, uma tubulação cedeu às margens da Rodovia Washington Luís (SP-310), provocando mais transtornos para milhares de moradores.
De acordo com informações do Departamento Autônomo de Água e Esgoto (DAAE), o problema teve relação com os reparos realizados anteriormente na adutora de 600 milímetros, considerada uma das principais responsáveis pelo abastecimento da cidade. Após a retomada do fluxo, a pressão exercida pela água acabou ocasionando o rompimento de uma segunda tubulação, de 400 milímetros, responsável pelo fornecimento para diversos bairros.
Por se tratar de uma estrutura localizada sob a rodovia, o trabalho de manutenção foi considerado de alta complexidade. A autarquia também alertou que, após a normalização do sistema, a água poderia apresentar resíduos de terra em razão dos serviços executados.
Moradores relatam novos pontos de vazamento pela cidade
Enquanto a crise fica ainda mais evidente, moradores passaram a utilizar as redes sociais para denunciar situações consideradas preocupantes em diferentes regiões de Rio Claro.
Um dos relatos aponta para um vazamento de água limpa registrado na região da Avenida 10 com a Rua 12, no bairro Santa Cruz. Segundo moradores, a água estaria aflorando pelo asfalto desde o dia anterior, sem que o problema tivesse sido solucionado. Também foram registradas reclamações sobre dificuldades de contato com os canais de atendimento.
Outra situação foi denunciada por residentes do Jardim Mirassol. Segundo os relatos, um vazamento persistente em uma via do bairro já se estende há vários dias. Além do desperdício de água, os moradores demonstram preocupação com a possibilidade de comprometimento da estrutura do asfalto e com os riscos para motoristas e pedestres que utilizam a região diariamente.
Na Avenida 24, entre as ruas 1 e 2, outra ocorrência tem chamado a atenção de quem passa pelo local. Moradores afirmam que o volume de água que emerge da via vem aumentando e tem provocado receio de que a pressão possa comprometer o pavimento, ocasionando danos ainda maiores e colocando em risco a segurança de quem transita pelo local.

Cresce o receio de novos rompimentos
Os relatos se multiplicam diariamente nas redes sociais e grupos de mensagens. Fotos, vídeos e reclamações têm sido compartilhados por moradores de diferentes bairros, que demonstram apreensão diante da possibilidade de novos rompimentos em adutoras e novas interrupções no abastecimento.
A sequência de ocorrências nas últimas semanas tem levantado questionamentos sobre as condições da infraestrutura responsável pela distribuição de água em Rio Claro. Especialistas em saneamento apontam que sistemas antigos, associados à ausência de manutenção preventiva contínua, podem se tornar mais suscetíveis a falhas e rompimentos em cadeia.
Impactos já atingem moradores e comerciantes
Além dos transtornos causados pela falta de água nas residências, os problemas também vêm afetando estabelecimentos comerciais, prestadores de serviços e diversos setores da economia local.
Empresários relatam prejuízos provocados pela interrupção das atividades, enquanto moradores convivem com dificuldades para realizar tarefas básicas do cotidiano, como cozinhar, higienizar ambientes e armazenar água para consumo.
Situação aumenta pressão sobre a administração municipal
Com o aumento das ocorrências e das reclamações, cresce também a cobrança por soluções definitivas para o sistema de abastecimento do município.
Nas redes sociais, moradores pedem investimentos em manutenção preventiva, modernização das adutoras e ampliação do monitoramento da rede para evitar que novos episódios se repitam.
Caso medidas estruturais não sejam adotadas, especialistas alertam que a tendência é de agravamento do cenário, com possibilidade de novos rompimentos, aumento dos custos com reparos emergenciais e continuidade dos prejuízos à população.
Enquanto isso, milhares de rioclarenses seguem convivendo com a insegurança sobre a regularidade do abastecimento e com a expectativa de que soluções permanentes sejam implementadas para evitar que a crise da água continue se repetindo no município.
Tarifa mais cara em meio à crise: reajuste de 14,14% nas contas de água e esgoto aumenta insatisfação em Rio Claro
Em meio à sequência de problemas no abastecimento que vem afetando milhares de moradores, a população de Rio Claro (SP) também precisou lidar, em 2026, com o aumento nas tarifas de água e esgoto. A Agência Reguladora dos Serviços de Saneamento (Ares-PCJ) definiu reajuste de 14,14% nas tarifas praticadas pelo Departamento Autônomo de Água e Esgoto (Daae), percentual que passou a ser aplicado nas faturas distribuídas a partir do mês de fevereiro.
A resolução da Ares-PCJ foi publicada no Diário Oficial do Município em 9 de janeiro de 2026. Além da revisão tarifária da água e do esgoto, o documento estabeleceu reajuste de 4,46% para os demais serviços prestados pela autarquia municipal.
“O índice de reajuste foi calculado a partir de análise detalhada, visando garantir a prestação de serviços, a qualidade no fornecimento de água em todo o município e novos investimentos em infraestrutura”, explica o superintendente do Daae, Leandro Tresoldi.
Com a atualização dos valores, a tarifa mínima residencial para consumo de até 10 metros cúbicos passou para R$ 70,72. Já os usuários enquadrados na tarifa social passaram a pagar R$ 35,38. Para os estabelecimentos comerciais, a tarifa mínima para consumo de até 15 metros cúbicos foi fixada em R$ 188,84, enquanto a categoria industrial passou a ter valor mínimo de R$ 359,74.
De acordo com os estudos apresentados pela Ares-PCJ ao Daae e ao Conselho de Regulação e Controle Social dos Serviços de Saneamento de Rio Claro, diversos fatores foram considerados para a definição dos novos índices. Entre eles estão os custos com folha de pagamento da autarquia, encargos trabalhistas, aquisição de produtos químicos utilizados no tratamento da água, despesas com energia elétrica, combustíveis e demais insumos operacionais.
Aumento gera indignação em meio à crise do abastecimento
Embora o reajuste tenha sido fundamentado em critérios técnicos e financeiros, o aumento nas tarifas provocou forte reação entre os moradores de Rio Claro, principalmente diante da crise no abastecimento enfrentada pelo município nas últimas semanas.
Nas redes sociais, grupos de moradores e canais de atendimento, as reclamações se multiplicaram. Muitos consumidores questionam a elevação das contas em um momento em que diversos bairros convivem com interrupções frequentes no fornecimento, falta de água nas torneiras e sucessivos rompimentos em adutoras.
Para parte da população, o aumento nas tarifas contrasta com a realidade vivenciada diariamente por milhares de famílias que, além de pagarem mais caro pelo serviço, têm enfrentado dificuldades para realizar atividades básicas em suas residências.
A insatisfação também alcança comerciantes e empresários, que relatam prejuízos provocados pelas paralisações decorrentes da falta de água e manifestam preocupação com o impacto do reajuste nos custos operacionais.
Cobrança por investimentos e melhorias
Diante do cenário, cresce a cobrança por investimentos efetivos na modernização do sistema de abastecimento e em ações de manutenção preventiva capazes de reduzir os recorrentes problemas registrados na cidade.
Moradores defendem que os recursos arrecadados com os reajustes tarifários sejam revertidos em melhorias concretas na infraestrutura, com substituição de tubulações antigas, ampliação do monitoramento da rede e adoção de medidas que proporcionem maior segurança e estabilidade ao sistema.
A discussão ganhou ainda mais força em meio aos recentes episódios de desabastecimento que afetaram grande parte do município e reacenderam o debate sobre a necessidade de investimentos estruturais para garantir a continuidade dos serviços.
Enquanto os novos valores já estão em vigor desde fevereiro, a população segue cobrando respostas e soluções permanentes para um problema que, segundo moradores, deixou de ser pontual e passou a fazer parte da rotina dos rioclarenses.
Câmara aprova projeto que transforma Daae em empresa pública e abre nova etapa da reestruturação do saneamento em Rio Claro
A Câmara Municipal de Rio Claro aprovou, em duas discussões, o Projeto de Lei Complementar nº 70/2026, de autoria do prefeito Gustavo Perissinotto (PSD), que reorganiza a administração pública municipal em decorrência da transformação do Departamento Autônomo de Água e Esgoto (Daae) em empresa pública.
A proposta faz parte do processo de reestruturação do sistema de saneamento do município e viabiliza a constituição da futura Daae S.A., etapa considerada estratégica para a nova modelagem administrativa do setor.
A votação em primeira discussão ocorreu na sessão da noite de terça-feira, 9 de junho. O projeto estabelece regras para a reorganização da estrutura da prefeitura e define a situação funcional dos servidores ativos e aposentados da autarquia.
Servidores poderão escolher entre prefeitura e futura empresa pública
Com a extinção do atual Daae, os servidores efetivos terão duas possibilidades. A primeira é a transferência para um quadro especial da Prefeitura de Rio Claro, permanecendo sob o regime estatutário. A segunda é a integração ao quadro funcional da futura empresa pública, na condição de empregados públicos submetidos ao regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Transformação em empresa pública é vista como passo para futura abertura ao capital privado
Segundo críticos do projeto, a mudança da natureza jurídica da autarquia representa uma etapa que poderá, futuramente, permitir a transformação da empresa em sociedade anônima, possibilitando a participação da iniciativa privada por meio da venda de ações.
Todo esse processo, entretanto, depende de novas etapas administrativas, regulamentações e eventuais aprovações futuras.
Único voto contrário foi do vereador Rafael Andreta
A proposta recebeu apenas um voto contrário. O vereador Rafael Andreta (Republicanos) voltou a manifestar oposição ao processo de transformação do Daae.
Durante a discussão em plenário, o parlamentar afirmou ser contrário à privatização da autarquia e criticou a possibilidade de transferência parcial da gestão para a iniciativa privada.
“Eu vou votar contra o projeto porque sou contra a privatização do DAAE. Sou contra vender o DAAE, entregar patrimônio a troco de banana. Esse projeto tem a ver com isso. Se não fosse a venda do DAAE, não haveria esse projeto”, declarou o vereador.
Base governista defende segurança jurídica aos servidores
Entre os vereadores que votaram favoravelmente ao projeto, o principal argumento apresentado foi a necessidade de garantir segurança jurídica aos servidores diante da nova estrutura administrativa e assegurar a continuidade dos serviços.
Parlamentares da base governista afirmaram que a reorganização busca adequar o município às novas exigências administrativas e preparar o setor para os desafios futuros do saneamento.
Debate divide opiniões e gera preocupação em parte da população
A aprovação do projeto reacendeu o debate sobre o futuro do saneamento em Rio Claro. Nas redes sociais e em manifestações públicas, moradores têm demonstrado preocupação com a possibilidade de participação da iniciativa privada na gestão do sistema de água e esgoto.
Setores contrários à medida defendem que o Daae representa um patrimônio histórico da cidade e argumentam que eventuais mudanças precisam ser amplamente discutidas com a sociedade. Já os defensores da reestruturação sustentam que a modernização administrativa poderá ampliar a capacidade de investimentos e melhorar os serviços prestados.
O tema deve continuar em debate nos próximos meses, à medida que novas etapas do processo de reorganização do sistema de saneamento forem sendo discutidas e regulamentadas.
E como está a situação da cidade?
Entre adutoras rompidas e a paciência da população no limite…
Em Rio Claro, não são apenas as tubulações que estão estourando!
Mais do que os buracos abertos no asfalto após os rompimentos, muitos moradores avaliam que o problema do abastecimento em Rio Claro é ainda mais profundo. Para parte da população, a sequência de ocorrências evidencia um sistema que há anos vem operando sob pressão e que, diante da falta de investimentos estruturais e da demora na adoção de soluções definitivas, passou a apresentar sinais cada vez mais frequentes de desgaste.
Enquanto as adutoras parecem não suportar mais a pressão da água, a paciência dos rioclarenses também dá sinais de esgotamento. Afinal, chegar em casa depois de um dia de trabalho e descobrir que não há água para tomar banho, cozinhar ou realizar atividades básicas deixou de ser um episódio isolado e passou a fazer parte da rotina de muitos moradores.
Os prejuízos também atingem comerciantes e prestadores de serviços. Para quem depende diretamente da água para manter as atividades funcionando, cada interrupção representa perda de faturamento, cancelamento de atendimentos e incerteza sobre o dia seguinte.
Nas redes sociais, cresce a insatisfação e alguns moradores já defendem a realização de manifestações em frente à Prefeitura sempre que ocorrerem novas interrupções no abastecimento. O sentimento predominante é de que a população não quer apenas reparos emergenciais, mas soluções permanentes para um problema que afeta toda a cidade.
E, em meio a tantos rompimentos, uma ironia tem sido repetida por moradores: em Rio Claro, parece que não são apenas as adutoras que estão estourando — a paciência da população também está chegando ao limite.
Por Leila Pizzotti




